quarta-feira, 19 de maio de 2010

Artilharia da Copa do Mundo de 1998

Olá, pessoal!!

Chegamos a nossa série sobre a Copa do Mundo na edição de 1998, realizada novamente na França.

Essa Copa teve um aumento significativo de seleções para 32, proporcionando mais jogos e resolvendo o problema dos terceiros lugares ao colocar dois grupos a mais e classificando somente os dois primeiros de cada grupo. E teve algumas surpresas tanto positivas como negativas nessa Copa.

Uma delas é a novata seleção da Croácia, que surgiu sem alarde, fez jogos muito bons (a Alemanha que o diga) e garantiu um honroso terceiro lugar nessa Copa revelando bons jogadores que sobreviveram a uma guerra terrível e traumática que separou o país da Iugoslávia.
Falando nisso, a Iugoslávia também conseguiu voltar a uma Copa e até fez bonito, chegando entre os 16 primeiros sendo somente eliminada pela Holanda com um chute lotérico de Davids no fim do jogo.

Outra surpresa positiva foi o Paraguai comandado por Paulo César Carpegianni e que tinha seu ponto forte na defesa comandada por Chilavert, Arce e Gamarra. (Esses dois últimos juntamente com o zagueiro Rivarola e o volante Enciso fizeram muito sucesso no futebol gaúcho e no futebol paulista, exceto Enciso no último caso). Foram para as oitavas-de-final e caíram somente na prorrogação para a França com o gol de ouro de Laurent Blanc. A defesa era tão boa que o Gamarra passou a Copa inteira sem fazer uma só falta em qualquer adversário, desarmando as jogadas sempre limpamente.

Quanto a França, chegou a essa Copa com muita desconfiança de todos os franceses, traumatizados ainda pela cruel eliminação sofrida pelos búlgaros nas Eliminatórias de 1994, provocada por um passe errado de Ginola. Mas soube utilizar muito bem o fator campo e torcida para conquistar o título e revelar uma nova geração de jogadores talentosos para o mundo como Henry, Petit, Didier Deschamps e principalmente, Zinedine Zidane, o astro-mor da equipe.
Não sem passar por sustos como a própria expulsão do meia contra a Arábia Saudita ao pisar em um adversário, o próprio Paraguai que assustava nos contra-ataques, os pênaltis contra a Itália, e o sufoco croata na semifinal. Na Final contra o Brasil, foi estranhamente tranquila a vitória sob um adversário apático e dormente em campo. Estranha não pela competência francesa, mas pela apatia brasileira.

Mas se enxergarmos isso com outro prisma, talvez o Brasil tenha chegado longe demais nessa Copa. Com um grupo desunido e uma defesa que batia cabeça a todo momento, o Brasil só chegou a final graças ao eficiente ataque comandado pelo jovem Ronaldo e pelo veterano Bebeto que não decepcionaram e marcaram seus golzinhos. Isso sem falar naquelas perguntas que até hoje não querem calar: O que aconteceu na véspera daquele jogo com o Ronaldo? Desmaio simples? Convulsões? Porque Edmundo não jogou? Porque mandaram um Ronaldo mais pálido que um cadáver a campo? Porque o Brasil não teve atitude para vencer? Porque a conformação com aquilo tudo? Talvez nós nunca saberemos.

Outra boa surpresa nessa Copa foi a Holanda, que fez um bom papel e terminou em quarto lugar com direito a eliminar a Argentina nas quartas-de-final e só parou nas mãos de Taffarel nos pênaltis contra o Brasil. Revelou bons jogadores como Kluivert, Cocu e o bom goleiro Van Der Sar e consagrou definitivamente Bergkamp como ídolo, bem como a seleção da Dinamarca que causou boa impressão na Copa e também caiu com dignidade contra o Brasil nas quartas-de-final.

As outras seleções não se destacaram tanto assim e até decepcionaram. A Argentina, apesar de ter Batistuta em ótima fase, não conseguiu ir longe devido a covardia defensiva do técnico Daniel Passarella e também com sua intransigência (e por quê não, preconceito!!!) com os jogadores cabeludos, excluindo dois belos jogadores que poderiam fazer a diferença por causa dessa besteira toda, que foram o volante Redondo e o atacante Caniggia. Mandou cortar os cabelos dos Sansões argentinos e estes perderam a força....
A Itália foi apenas discreta e só foi longe porque tinha um garoto com muita fome de gol chamado Christian Vieri e um Roberto Baggio em grande fase, apesar de ter sido reserva na Copa graças ao teimoso Cesare Maldini. Teimosia tem limite, né...
A Inglaterra teve muitos problemas na primeira fase e acabou por enfrentar a Argentina nas Oitavas-de-Final por causa disso. Naquela partida os ingleses estavam jogando bem, tinha marcado um golaço com o jovem Michael Owen e estavam com a classificação na mão até o Beckham fazer aquela asneira de chutar o Simeone na frente do juíz e ser expulso. Depois disso, os ingleses se perderam totalmente e acabaram indo pra casa nos pênaltis, com o meia inglês execrado pela torcida e pela mídia por essa burrice ao cubo que fez. Mas a vingança dele não tardaria a chegar....

Mas a maior de todas as decepções se chamava Espanha. Veio com a banca de uma das melhores do mundo e voltou pra casa com o rabinho entre as pernas, apesar dos 6 x 1 sobre a Bulgária. Foram perder onde não podiam que era contra a Nigéria e se deram mal. E nota-se que eles tinham uma boa seleção com Hierro, Luis Enrique e os jovens Raul e Morientes, pois é!!! A bola recompensa os craques e os esforçados e pune os arrogantes que entram de salto-alto em campo....

E menção honrosa também aos romenos que tinham feito uma ótima primeira fase até inventarem de pintar seus cabelos de amarelo. Parece que tinham previsto a sua "amarelada" nas oitavas-de-final diante dos croatas...

Bem, depois dessas pinceladas sobre essa Copa, vamos aos artilheiros:

Com 6 Gols: Suker (Croácia)

Com 5 Gols: Batistuta (Argentina); Vieri (Itália)

Com 4 Gols: Ronaldo (Brasil); Marcelo Salas (Chile); Luís Hernandez (México)

Com 3 Gols: Bierhoff e Klinsmann (Alemanha); Bebeto, César Sampaio e Rivaldo (Brasil); Henry (França); Bergkamp (Holanda)

Com 2 Gols: Bartlett (África do Sul); Ortega (Argentina); Wilmots (Bélgica); Prosinecki (Croácia); Brian Laudrup (Dinamarca); Hierro, Kiko e Morientes (Espanha); Petit, Thuram e Zidane (França); Cocu, Kluivert e Ronald de Boer (Holanda); Owen e Shearer (Inglaterra); Roberto Baggio (Itália); Komjlenovic (Iugoslávia); Theodore Whitmore (Jamaica); Bassir e Hadda (Marrocos); Peláez (México); Moldovan (Romênia)

Com 1 Gol: McCarthy (África do Sul); Moller (Alemanha); Al-Jaber e Al-Thunayan (Arábia Saudita); Cláudio López, Javier Zanetti e Pineda (Argentina); Herzog, Polster e Vastic (Áustria); Nilis (Bélgica); Kostadinov (Bulgária); Mboma e Njanka (Camarões); Sierra (Chile); Preciado (Colômbia); Seok Ju-Ha e Yoo Sang-Chul (Coréia do Sul); Jarni, Stanic e Vlaovic (Croácia); Helveg, Jorgensen, Michael Laudrup, Peter Moller, Nielsen, Rieper e Sand (Dinamarca); Burley e Collins (Escócia); Luis Enrique e Raúl (Espanha); McBride (Estados Unidos); Blanc, Djorkaeff, Dugarry, Lizarazu e Trezeguet (França); Davids, Overmars, Van Hooidjonk e Zenden (Holanda); Anderton, Beckham e Scholes (Inglaterra); Estili e Mahdavikia (Irâ); Di Biagio (Itália); Mihajlovic, Mijatovic e Stojkovic (Iugoslávia); Earle (Jamaica); Nakayama (Japão); Hadji (Marrocos); Blanco e Garcia Aspe (México); Adepoju, Babangida, Ikpeba, Lawal, Oliseh e Oruma (Nigéria); Eggen, Havard Flo, Tore Andre Flo e Rekdal (Noruega); Celso Ayala, Benitez e Cardozo (Paraguai); Ilie e Petrescu (Romênia); Souayah (Tunísia)

Gols Contra: Issa (África do Sul) a favor da França; Boyd (Escócia) a favor do Brasil; Mijahlovic (Iugoslávia) a favor da Alemanha; Chippo (Marrocos) a favor da Noruega

OBS: Em algumas fontes o primeiro gol da Iugoslávia e da Alemanha no jogo entre eles são anotados para Stankovic e Tarnat. Foram ocasionadas em jogadas que foram desviados de cabeça pelos jogadores que citei na artilharia. Isso acaba confundindo muito os pesquisadores esportivos devido que uma fonte explica uma coisa e a outra fonte outra coisa. Por isso não está sendo fácil poder resgatar esses artilheiros, mas a gente tenta mostrar para os que lêem o melhor possível.

Notas da Copa: Foram marcados 171 gols em 64 jogos, com média de 2,7 por jogo. Uma boa média impulsionada pelo maior número de gols em uma só Copa...
Lembra do técnico escocês que se demitiu em 1954? Pois bem, nessa Copa ocorreram três demissões de técnicos: Carlos Alberto Parreira, da Arábia Saudita, Bum Kun-Cha, da Coréia do Sul e o polonês Henri Kasperczak, da Tunísia. Nesses casos, os técnicos foram demitidos pelos dirigentes sendo os primeiros a atingirem o "feito" na História das Copas. Nenhum técnico se orgulharia disso e lá na Copa é como aqui no Brasil. Maus resultados, pé na bunda e vai pra rua ao som de "The Lonely Man" com sua malinha...
Os gols 1600 e 1700 chegaram nessa Copa do Mundo marcados por um gol contra do zagueiro sul-africano Issa ao tentar cortar um chute pela esquerda e pelo iugoslavo Komjlenovic de cabeça, aproveitando uma falta da direita de Stojkovic.
A Argentina e a Itália chegaram ao gol de número 100 nessa Copa marcados por Cláudio Lopez contra a Holanda em um chute da entrada da área e por Luigi di Biagio contra Camarões marcando de cabeça após uma falta da esquerda.
A Holanda chegou ao gol de número 50 na História das Copas marcado por Ronald de Boer contra o México aproveitando um passe da direita e chutando no canto.
Em relação aos hat-tricks, apenas um jogador atingiu esse feito nessa Copa: foi Gabriel Batistuta, que com seus três gols contra a Jamaica, tornou-se o único jogador a marcar hat-tricks em duas copas diferentes igualando a Kocsis, Fontaine e Gerd Muller com dois.
E os irmãos dinamarqueses Michael e Brian Laudrup foram a terceira dupla de irmãos a marcar gols em Copas do Mundo. (os outros dois são os irmãos alemães Ottmar e Fritz Walter em 1954 e os holandeses Willy e Renê Van Der Kerkhof em 1978)
E Robert Prosinecki foi o único jogador até hoje a marcar gols em Copas do Mundo em seleções diferentes: Em 1990 pela antiga Iugoslávia e em 1994 pela Croácia.
E o jogador dinamarquês Ebbe Sand foi o reserva a marcar o gol mais rápido da história das Copas contra a Dinamarca. Ele fez em apenas 16 segundos depois de entrar no jogo.

Fato Rápido: Essa música "The Lonely Man" é o tema da série do Incrível Hulk exibido entre 1978 e 1982 nos Estados Unidos. É aquela música em que o personagem principal, o David Banner aparece deixando a cidade e indo embora sem destino na tentativa de encontrar sua cura.

Bem, até a próxima e penultima, com a Copa de 2002, no Japão e na Coréia do Sul. Sayonara!!!!!

2 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Mario Gayer do Amaral disse...

É uma pena que tu penses assim do meu trabalho. Não foi fácil fazer isso, não é fácil manter essa história viva e lamento essa sua atitude idiota de criticar isso. São pessoas como você que denigrem nosso trabalho sem ao menos saber o que lêem. É lamentável isso.