quinta-feira, 18 de setembro de 2008

do fundo do baú

No dia 30 de Outubro de 1971, num sábado, América e Palmeiras se enfrentaram no Maracanã pela 1ª fase do Campeonato Brasileiro com os americanos saindo vencedores pelo placar de 2 tentos 0 com gols do centroavante Caio.

Principal artilheiro do Campeonato

Dario (ATLÉTICO MINEIRO): 15 Gols

O Jogo

AMÉRICA(RJ) 2 x 0 PALMEIRAS(SP)
Data: 30/10/1971
Campeonatao Brasileiro
Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã
Renda: Cr$ 50.601,75
Juiz: José Carlos Cavalheiro de Morais (RS)
AMÉRICA: Jonas, Dejair, Alex, Aldeci, Zé Carlos, Badeco, Antônio Carlos, Sarão, Paraguaio (Tarciso), Caio, Edu (Tadeu) / Técnico: Zizinho
PALMEIRAS: Leão, Zeca, Luís Pereira, Nélson, Dé, Dudu, Ademir da Guia, Edu, César (Fedato), Leivinha, Pio (Paulo Borges) / Técnico: Mário TravagliniGols: Caio 5, 23/2º

O Craque: Tarciso
Um dos grandes atacantes da história do América do Rio de Janeiro e do Grêmio de Football Portoalegrense, José Tarciso de Souza, o Tarciso, hoje mora na capital gaúcha, onde trabalha na revelação de futuros craques.

Mineiro de São Geraldo, onde nasceu no dia 15 de setembro de 1951, Tarciso despontou no futebol defendendo o América do Rio. No começo de carreira, no final dos anos 60, Tarciso era um centroavante nato. No Grêmio, a partir de 1973, transformou-se em ponta-direita e até em ponta-esquerda, posição em que atuou na campanha vitoriosa da Libertadores da América de 1983.

Os bons momentos de Grêmio renderam ao veloz atacante, também chamado de Flecha Negra, algumas convocações para defender a Seleção Brasileira. Tarciso fez oito jogos pelo time canarinho e marcou um gol.

Ídolo do Grêmio nas décadas de 70 e 80, o ponta-direita Tarciso, que atualmente trabalha num projeto social que visa, através do ensinamento do futebol, afastar das ruas e das drogas meninos carentes, vive nos últimos dias um daqueles velhos momentos de ídolo, tamanho o assédio recebido da imprensa. O motivo é a publicação de um livro - que será lançado oficialmente dia 24 de maio -, no qual o ex-jogador Paulo Cézar Caju, seu companheiro na conquista Mundial Interclubes, em 1983, conta que a maioria dos jogadores entraram em campo dopados.

No livro, que tem o título Dei a Volta na Vida, o meia-atacante campeão mundial com a Seleção Brasileira, em 1970, conta a sua trajetória no futebol e diz que para vencer o Hamburgo, da Alemanha, por 2 x 1, em 1983, os atletas gremistas usaram drogas. Isso mancha a maior conquista gremista e revolta Tarciso, que disse ao Pelé.Net que as acusações de Caju são palavras soltas irresponsavelmente no ar, sem apontar culpados. "Se você diz que naquela casa, onde moram 10 pessoas, tem ladrão, todos passam a ser suspeitos. Por isso, ele tem que dizer quem é o ladrão. Sou fã dele, mas foi muito infeliz em falar isso sobre um título que ele ajudou a conquistar", comentou.

Tarciso, hoje tão preocupado em ensinar valores morais e sociais a meninos de rua, acredita que ao escrever o livro Caju não pensou nos milhares de torcedores do Grêmio que vêem a instituição e o futebol como um caminho que pode levá-los a um futuro melhor. "Ele está ferindo uma nação. Não sei se é para promover e vender mais. Mas o Paulo sempre foi ídolo aqui no Sul e não precisava disso. Faria uma sessão de autógrafos e venderia tudo".

Insistente em demonstrar sua revolta, concedida na tarde desta última segunda-feira, logo após mais uma aula aos jovens alunos, o atacante que ficou conhecido como o "Flecha Negra", tal sua velocidade, concluiu a sessão de críticas a Paulo César assim: "Eu lutei e chorei para chegar àquele título. O troféu está lá no Grêmio, mas agora está manchado. Eu nunca vi nada e nem sei de jogadores do Grêmio que usaram drogas. Todo mundo têm o direito de ir, vir e falar o que quiser, mas invadir a casa dos outros sem pedir licença é muito ruim, e foi isso que ele fez".

Tarciso brinca com o atacante Renato Gaúcho na concentração do Grêmio; disputa pela camisa "7" Como surgiu o Flecha Negra.

Tarciso despertou o interesse e chegou ao Grêmio, clube onde alcançou suas maiores glórias, depois de enfrentar o Internacional num jogo realizado no final da década de 60.
Ele literalmente deixou para trás o zagueiro Pontes, na ocasião considerado um dos melhores na posição e o zagueiro mais rápido do futebol gaúcho, fazendo o gol que teve como conseqüência sua contratação pelo Tricolor.

"Fiz a jogada em alta velocidade e marquei o gol. Eu era muito jovem, e no ano seguinte, com 18 anos, vim para defender o Grêmio, começando uma trajetória vitoriosa em Porto Alegre, jogando tanto na ponta como de centroavante", recorda o jogador que ganhou ali a a denominação de "Flecha Negra", que se perpetuou.

Nos 13 anos de permanência no Olímpico, Tarciso ajudou o Grêmio a conquistar seus maiores títulos. Ele lembra que a fase gloriosa teve início com a chegada do técnico Telê Santana, um marco para o clube. "Ganhamos o Campeonato Gaúcho de 77, interrompendo uma série de oito estaduais consecutivos do Inter, e então partimos para projetos maiores", recorda.

Na década de 80 o Grêmio ganhou o Brasil, a América e o Mundo. Tarciso estava lá. "Em 20 anos de carreira, fazendo um balanço, tive mais sorrisos do que choro. Nesta profissão a gente passa por coisas maravilhosas, amizade, conhecimento, companheirismo e sou feliz pela trajetória de muito sucesso", resume.

Daquele período, lembra os duelos com o zagueiro colorado Figueroa, eternizados na história dos clássicos Gre-Nais. "Tem jogadores com mais habilidade, outros mais velozes, e ele não conseguia me acompanhar, por isso usava seus artifícios para me deter de qualquer jeito", conta. Refere o fato de que, como não o segurava na velocidade, o chileno partia para as faltas, por vezes com muita violência e usando o cotovelo para pará-lo. "Tudo faz parte do futebol", acrescenta, satisfeito com o balanço dos confrontos.


Clubes

América (RJ) (1970 / 1972)
Grêmio (RS) (1973 / 1985)
Criciúma (SC) (1985)
Goiás (GO) (1986 / 1987)
Cerro Porteño (PAR) (1987 / 1988)
Coritiba (PR) (1989)
Goiânia (GO) (1990)
São José (RS) (1990).

Seleção Brasileira Copa América: 19791 jogo , 1 derrotaPela Seleção Brasileira:8 jogos , 6 vitórias , 2 derrotas , 1 gol

Títulos

Campeão gaúcho em 1977, 1979, 1980, 1985 e 1986
Brasileiro de 1981
Libertadores da América de 1983
Mundial Interclubes de 1983 (todos pelo Grêmio)
Goiano de 1986
Paraguaio de 1987

Fontes: Milton Junior do Pelé.Net/ Rogério Micheletti

2 comentários:

André Funger Schmidt disse...

Show de bola o blog! Se precisar de alguma súmula,histórico de jogador ou qualquer outra coisa estou a disposição ok?!pode ter certeza que ganhou mais visitante diário, ainda mais que também é vascaíno.Abração e parabéns!

Walter disse...

Caro Jorge Costa.

Essa matéria de autoria de Milton Junior e Rogério Micheletti tem alguns equívocos.

1ª ) Que o Tarcísio era um centro-avante nato e no Grêmio, a partir de 1973, transformou-se em ponta-direita e até em ponta-esquerda. A posição original do Tarcísio no América era ponta-direita, mas eventualmente jogava de centro-avante. Nos campeonatos cariocas de 1970 e 1971, o ataque do América era Tarcísio, Jeremias, Edu e Sarão.

2º) Falam que o Tarcísio chamou a atenção do Grêmio em um jogo realizado, no final da década de 60, entre Internacional e América. Como o Tarcísio poderia ter chamado a atenção do Grêmio no final da década de 60 se a sua estréia no time titular do América aconteceu em 1970.

3º) O Tarcísio diz que era muito jovem, com 18 anos, e no seguinte foi defender o Grêmio. Se o Tarcísio nasceu em 15/09/1951 e se transferiu para o Grêmio em 1973, não poderia ter 19 anos. Ou o Tarcísio se equivocou na sua idade ou os autores da matéria se enganaram com a sua data de nascimento.


Há uns 3 anos, fiz uma consulta ao site Milton Neves, na coluna POR ONDE ANDA, sobre o Tarcísio e surpreendentemente, não constava que ele tinha atuado pelo América. Imediatamente, enviei um email, avisando que o Tarcísio começou no América. A retificação foi feita.

Estou sempre consultando o seu blog.

Abraços.
Walter